Em julho foi sancionado o Projeto de Lei 53/2018, que vinha com a versão brasileira da nova lei de proteção de dados adotada pela Europa, a GDPR (General Data Protection Regulation), aqui adaptada como Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Sua criação e publicação representa uma importante passagem jurídica na proteção de dados de usuários da internet em todo o planeta, e a responsabilidade que marcas, instituições e órgãos públicos assumem no momento que recolhem essas informações. Também mudou o jogo com uma atenção especial para as crianças.

O artigo 14 do PL 53 coloca o Brasil na lista de países que considera as crianças como pessoas em desenvolvimento que precisam do apoio de um maior de idade, e um cuidado especial na utilização de seus dados em ambientes digitais. Essa é uma boa notícia para crianças, pais e educadores, além de abrir espaço para a próxima discussão da pauta atual: como será a utilização dos dados das crianças com a Internet das Coisas?

A New York Magazine publicou em agosto um artigo que relembra os primeiros anos de luta pela proteção de dados de crianças na publicidade, e na atual utilização de brinquedos e gadgets conectados o tempo todo. Uma batalha armada contra gigantes tecnológicos e do entretenimento que envolve gigantes como Amazon, Apple e Google.

Nos  Estados Unidos, o número de casas que possuem o assistente virtual Alexa, da Amazon, praticamente triplicou entre 2016 e 2017.  Esse é mais um dos primeiros passos que famílias comuns estão dando com a utilização de Inteligência Artificial em suas rotinas. A relação das crianças com a Alexa já foi, inclusive, discutida em um nível de como deve ser o tratamento entre eles. Especialistas dizem que as crianças precisam tratar esses assistentes virtuais de “forma educada”. Como se fossem seres vivos. A linha oposta de pensamento não concorda com essa “humanização” das máquinas. No meio disso alguém está colhendo todos esses dados.

Mas esses avanços podem ajudar muito mais nossos pequenos do que simplesmente colher seus dados. O Brasil já conta com pesquisadores de diversas partes do país trabalhando em um projeto que utiliza a Internet das Coisas como meio de monitorar a saúde da molecada. Uma equipe multidisciplinar trabalha com apps e gamificação para deixar que as crianças tenham seus primeiros contatos com gerenciamento da saúde e bem-estar. Serão colhidos dados sobre batimentos cardíacos, taxas calóricas e acompanhamento contra casos de obesidade.

Uma boa utilização desse berço tecnológico que diferencia gerações.