Reviver uma franquia após 20 anos nunca é uma tarefa simples e fácil, ainda mais quando a desenvolvedora é responsável por um “concorrente” também adorado. Por isso, agora que a Larian Studios apresentou Baldur’s Gate 3 não há surpresa nas expectativas e questionamentos impostos pelos fãs.

Além desses antigos amantes da série de games, que esperam um sucessor cem por cento fiel às características da saga, há ainda outro público a ser considerado: aqueles que apaixonaram-se pelo RPG mais recente da desenvolvedora, o Divinity: Original Sin 2.

A principal diferença entre as duas franquias é simples: Baldur’s Gate é uma representação do clássico RPG de mesa Dungeons & Dragons. Os jogos Divinity, não. O desafio (e que desafio) enfrentado pelo Larian é, portanto, tentar agradar a todos.

Por conta dessas opiniões divergentes – e desse desafio – a empresa decidiu inovar em alguns aspectos, trazendo algumas semelhanças à saga Divinity. Mas, mesmo assim ainda há diferenças. Vamos analisar essas similaridades e diferenças por tópicos, começando pelos diálogos.

[Diferença] Diálogos

Uma das primeiras mudanças a serem notadas é como os diálogos foram abordados em BG3. As mudanças evoluíram a interação entre os personagens, remetendo a títulos como Mass Effect.

Ao invés do diálogo pouco imersivo de Divinity, onde os personagens eram vistos de cima, agora todas as conversas são apresentadas através de mini cutscenes que contam inclusive com captura de áudio e movimentação de atores. O resultado? Cenas muito mais interessantes e envolventes até mesmo do que as dos outros jogos da franquia Baldur’s Gate.

[Semelhança] Combate por turnos

Bem, sobre essa alteração há dois pontos interessantes a serem levantados. Primeiro, a Larian Studios já aperfeiçoou o combate por turnos nos jogos da saga Divinity, portanto, faz sentido que tenham decidido estender esse modelo ao BG3.

Segundo: mesmo que alguns fãs não fiquem contentes com essa mudança, já que os antecessores contavam com combate em tempo real com a possibilidade de pausas, a inovação faz sentido porque o combate de Dungeons & Dragons sempre foi por turnos.

[Diferença] Movimentação durante o combate

Diferente das ações bastante limitadas que você pode fazer durante o combate em Divinity: Original Sin 2, há muito mais liberdade no Baldur’s Gate 3. No Divinity, qualquer movimento durante o combate custará pontos de ação, influenciando nos seus ataques.

O BG3, por outro lado, segue as regras da quinta edição (5e) de D&D. Sendo assim, o recurso utilizado para movimentação durante o combate é separado do que abastece os seus ataques. Quem joga Dungeons & Dragons sabe que essa é uma renovação profunda nas estratégias e táticas de combate.

[Semelhança] Direção de arte

Pelo fato de usarem a mesma engine gráfica, a direção de arte dos dois jogos acaba sendo praticamente idêntica. Desde texturas até efeitos, como as animações de água e fogo, parecem ser os mesmos pelo que vimos na demo apresentada.

A iluminação em BG3 também lembra muito a de D:OS2, o que pode ser considerado muito vibrante e cartunizado por alguns. Pode ser também que a Larian acabe fazendo mudanças nestes itens antes do lançamento do jogo, só o futuro dirá.

[Diferença] Criação de Personagem

Aqui está uma diferença bastante importante e aparente entre as duas sagas: BG3 já tem toda a sua história e folclore estabelecidos pela quinta edição de D&D e, por isso, a customização de personagens será idêntica a do jogo de tabuleiro.

Essa edição do RPG de mesa traz mais flexibilidade e maior liberdade na criação de personagens e há milhões de combinações possíveis. Assim, torna-se muito improvável a existência de dois personagens iguais.

Esses são alguns dos principais tópicos a serem considerados para entender tanto a confusão dos fãs sobre as similaridades entre os games quanto as inovações propostas pela Larian Studios.

O que ficou claro nas apresentações até agora é o cuidado e o esforço investidos pela desenvolvedora para garantir uma ótima experiência e um novo clássico, mesmo que não totalmente fiel às tradições da franquia.